O MovArte decidiu formar um abaixo assinado para que o Ministério da Educação se consciencialize da real preocupação da sociedade portuguesa por este assunto e tome medidas que venham de encontro às necessidades do ensino artístico em Portugal.
Pedimos a todos que participem imprimindo o documento em anexo (abaixo-assinado.doc), recolhendo assinaturas e enviando-as para a seguinte morada:
Rua João de Barros, nº29 – 4ºD, 1300-319, Lisboa
MovArte
Abaixo-assinado
Sr. Presidente da Assembleia da República,
Sr. Primeiro-Ministro,
Sra. Ministra da Educação,
Os abaixo-assinados, músicos, musicólogos, professores, alunos, e outros cidadãos particularmente preocupados com o Ensino Artístico, com a imagem do Estado e a Cultura Portuguesa, face ao caos que se vem instalando nas instituições públicas de Ensino Artístico, à desregulamentação dos regimes de frequência e à falta de meios com que o Ensino Artístico Especializado se depara, solicitam a Vossas Excelências a tomada de medidas de nível político, técnico e financeiro que visem:
- uma verdadeira universalidade de acesso ao Ensino Artístico, estabelecendo uma plataforma de conhecimentos culturais e artísticos a atingir ao nível da escolaridade obrigatória;
- a clarificação do estatuto dos Conservatórios, nomeadamente no que se refere à sua missão, como escolas de excelência artística, na formação de artistas e tendo em conta a especificidade de cada uma destas formações especializadas;
- a clarificação da legislação que regula o estatuto dos regimes de Ensino Artístico Especializado, no sentido de uma melhor articulação dos três regimes (integrado, articulado e supletivo) com o Ensino Geral, e permitindo uma verdadeira liberdade de escolha por parte das famílias do regime a frequentar pelos seus educandos;
- a regulamentação da contratação dos docentes do Ensino Artístico Especializado, dando clara preferência a uma vinculação contratual dos docentes às escolas e conservatórios;
- a regulamentação do regime de trabalho dos docentes-artistas do Ensino Artístico Especializado, tendo em conta que sem experiência regular de palco, não é possível ensinar os alunos a fazer face a essa experiência;
- a adequação do financiamento dos Conservatórios ao nível de exigência enquanto escolas de excelência e de Ensino Especializado, permitindo condições adequadas à qualidade de formação que se pretende, nomeadamente no que se refere ao desenvolvimento de aulas individuais, de instrumentos e instalações para estudo, e de meios técnicos adequados ao ensino das novas tecnologias na Arte;
- uma clara tomada de posição em favor do ensino público gratuito e de acesso universal;
Fazem-no pelos seguintes motivos:
- a Cultura, o Conhecimento e a prática artística são essenciais na formação pessoal e um direito de todos os cidadãos;
- a universalidade do Ensino Artístico promove a salvaguarda e o desenvolvimento do património cultural e artístico nacional, bem como a inovação;
- a fruição e o exercício da Arte são fundamentais para o exercício da liberdade e da cidadania, condição indispensável para uma sociedade desenvolvida;
- apenas a co-existência e adequada regulamentação dos três regimes de ensino permitem uma verdadeira liberdade de escolha por parte das famílias sobre o percurso escolar e a carreira profissional dos seus educandos, deixando aos jovens a possibilidade, se assim o entenderem, de ter uma formação artística sólida durante alguns anos, a par de uma outra formação no ensino geral, antes de tomar uma decisão que dificilmente é reversível;
- a existência de especialistas com dupla formação científica e artística é a única forma de desenvolver várias áreas essenciais no estudo das Artes e no desenvolvimento das próprias Artes na sua relação com as novas tecnologias;
- a actual insegurança e regime de contratação de curta duração têm gerado um ambiente de perturbação generalizada nas escolas do Ensino Artístico Especializado;
- apenas o Ensino Público pode garantir o livre acesso e a universalidade da formação a todos, sem discriminação, e a sua gratuitidade.
Conscientes de que este pedido se fundamenta no exercício de uma cidadania empenhada e participativa, os signatários esperam de Vossas Excelências a tomada de medidas com a urgência e a clareza que a presente situação justifica.
Nome completo – Assinatura – Nº Identificação

5 Comentários
13 Abril 2007 ás 17:03
Aqui fica a sugestão de se assinar o abaixo assinado em comment e inverter o ónus da prova de assinatura:
Miguel Ivo Cruz, BI-6015323
Mais acrescento que APESAR do distúrbio que este relatório veio lançar a meio do ano lectivo, no Conservatório de Lisboa, depois da VIII Semana Aberta que foi um êxito, as actividades decorrem como previsto, pelo menos até ao fim do ano.
Visto isto, devem contudo e para já ser pedidas responsabilidades ao Ministério pelo timing – desastroso – e método – mal intencionado e desinformante – escolhidos para iniciar o debate.
30 Abril 2007 ás 8:38
Quando decidiram candidatar-se às legislativas, os que fazem parte deste governo, não mostraram o seu verdadeiro manifesto eleitoral. Porque se o tivessem feito não eram com certeza eleitos. Eles foram eleitos porque prometeram uma maior e melhor equidade social, educação, emprego… Ainda nos lembramos disso! Afinal o que estão a (tentar) fazer é acabar com tudo o que pode gerar riqueza, bem-estar e competitividade. Será que estes governantes quando se deslocam a outros países não fazem comparações com o que temos e com o que vêm? Eu faço. E fico imensamente feliz quando vejo público em todas as áreas artísticas. Olho para a publicidade institucional e penso que os anúncios podiam ser diferentes. Quantos de nós não podiamos estar em orquestras e outros agrupamentos e poder dizer “este sou eu que continuei os estudos” ou então a assistir enquanto público e sentir que “paguei os meus impostos e aproveito”. Será desastroso para a música neste país, se o anunciado fecho for para a frente. É preciso estarmos atentos e envolvermos neste protesto a sociedade portuguesa.
16 Maio 2007 ás 0:11
[...] é que reparei que, além do Manifesto, já aqui comentado, está disponível para subscrição, um abaixo assinado promovido pela MovArte. Para quem se quiser envolver e cumprir o dever cívico, cá está uma boa [...]
26 Setembro 2007 ás 14:28
Porque não criar uma petição online?
Fica mais fácil de organizar, digo eu.
Ou algum método de subscrever o abaixo-assinado online?
Desconhecia o site até hoje e não sei até que ponto (pela data da publicação do posto- há quase 6 meses) ainda será relevante ajudar a recolher assinaturas.
Se me pudessem responder, agradecia.
26 Setembro 2007 ás 20:56
Margarida, a petição está online. O link de acesso está na coluna da direita. Todas as assinaturas são bem vindas dado que é este ano que o ministério quer impôr as suas medidas, e quanto mais assinaturas a petição tiver mais forte será a sua apresentação no parlamento.
Tiago Ivo Cruz