Há exactamente um ano atrás o MovArte é constituído para denunciar e travar as iniciativas da presente ministra da educação de “reformar” e “democratizar” o ensino artístico. Depois de um ano de mobilização e apresentação de propostas alternativas por parte do MovArte a ministra da educação, sem consultar professores, pais e alunos, apresentou esta semana a sua vontade de extinguir unilateralmente o ensino supletivo. Os professores serão despedidos, os alunos ficarão sem ensino, e os pais terão de pagar uma média de €1000 para garantir uma educação artística para os seus filhos.
Por estas razões o MovArte apresenta e subscreve esta petição lançada pelos professores da EMCN, e apela a todos os leitores que se juntem neste momento crítico a uma mobilização nacional pela defesa do ensino artístico.
O movimentopelamusica, formado por um grupo de Professores da Escola de Música do Conservatório Nacional, tem como objectivo informar a população em geral sobre as implicações que a reforma prevista pelo Ministério da Educação terá no ensino especializado da música. Sob a bandeira falaciosa de uma democratização do ensino musical, o Ministério da Educação prepara-se para extinguir o ensino especializado da música no país. As crianças entre os 6 e os 9 anos, assim como os alunos de idades mais avançadas serão excluídos do sistema. Como exemplo: dos cerca de 900 alunos da Escola de Música do Conservatório Nacional, 75% não poderá prosseguir os seus estudos. As famílias, e só as que tiverem maiores possibilidades financeiras, serão então obrigadas a pagar por um ensino de qualidade em escolas privadas. A cultura musical ficará empobrecida, mais cara e mais elitista! Somos pela abertura de uma sensibilização à música dirigida a todas as crianças desde a pré-primária e, se possível, nas escolas do ensino genérico. Mas estas medidas não podem ser tomadas à custa da extinção do ensino especializado, onde até agora crianças a partir dos seis anos de idade podiam aprender a tocar um instrumento. O ensino especializado da música tem um valor formativo único e é igualmente uma importante fonte geradora de emprego – a indústria da música e do espectáculo gera aproximadamente 100.000.000.000€ por ano (não tendo em conta as verbas de espectáculos musicais), quantia que cobre 7 vezes a despesa do Ministério da Educação com o ensino especializado da música. Em consonância com outros movimentos (Movarte, salvemoconservatorionacional) somos pela defesa de um ensino de qualidade e as nossas posições encontram-se reflectidas no Manifesto aprovado em Assembleia Geral de Escola e que se encontra em anexo a este e-mail.
Se partilhar das nossas inquietações, junte-se a este movimento, ajude a divulgar este e-mail e assine a petição on-line que encontrará em:


3 Comentários
2 Fevereiro 2008 ás 20:42
Será possível entregar a petição não só junto do Ministério da Educação (que aparentemente é autista), mas também junto do Sr. Primeiro-Ministro e do Sr. Presidente da República?
Creio que os contornos deste “ataque” à Escola de Música do Conservatório Nacional já pediam uma acção concertada… A petição poderia fazer-se acompanhar de um alerta para a comunicação social.
Parabéns pela iniciativa!
3 Fevereiro 2008 ás 15:29
Mais uma medida ignorante de mais um dos nosso governantes visionários em que a todo o custo se vai privando o país das áreas culturais e artísticas! Que tristeza.
7 Fevereiro 2008 ás 22:04
É com estas reformas que se vê a situação em que está este país.
Eu estudo há 9 anos numa escola de música em regime supletivo e se impedirem pessoas como eu de frequentar esta escola, que é a única escola de qualidade da cidade e seus arredores, como poderei eu estudar música?
Meus senhores e minhas senhoras, a música é cultura geral.
É triste ver pessoas, a trabalhar no mundo da “música popular portuguesa” que não sabem distinguir um acorde de uma escala…
É triste saber que a maioria dos portugueses nunca ouviu falar de Bach…
É triste saber que milhões de portugueses nunca ouviram uma ária de uma ópera…
É muito triste saber que o governo português só toma decisões que só pioram a situação já vivida.